Como fazer flashcards com o Claude
O Claude escreve bons flashcards. Basta colar um tema dos seus resumos, pedir vinte cartões e, em poucos segundos, há vinte cartões razoáveis. O problema é o que vem depois: os cartões ficam numa conversa, a conversa se perde entre tantas outras e ninguém volta a fazer aquelas perguntas. Este guia cobre as duas metades: como tirar do Claude cartões que valem a pena manter, e como dar ao Claude um lugar para eles, para que as perguntas voltem amanhã, na semana que vem e na semana antes da prova.
Como é um bom cartão (antes de pedir vinte)
O Claude segue as instruções à risca, por isso a qualidade do baralho depende sobretudo de como o pedido é feito. Três coisas separam os cartões que ficam na memória dos que acabam apagados:
- Uma só ideia por cartão. “Descreva o sistema de condução do coração” é uma pergunta de prova oral, não um cartão. “Qual nó dá início a cada batimento do coração?” é um cartão. Se a resposta precisa de mais de uma frase, divida em dois cartões.
- Uma pergunta com uma única resposta certa. Evite perguntas de sim ou não e os “o que sabe sobre…?”. Pergunte pelo número, pelo nome, pelo mecanismo, pela exceção.
- Lacunas para tudo o que tem um número ou uma ordem. “O nó sinusal dispara de [...] batimentos por minuto” testa o dado sem testar a habilidade de adivinhar como a pergunta foi escrita. O Anki e o Flash chamam esse tipo de cartão de “omissão de palavras”.
Um prompt que quase sempre dá cartões com esse formato:
Duas mudanças úteis conforme o que se estuda. Para um concurso ou uma prova de Direito, peça que o cartão cite o artigo e mantenha a redação literal, porque ali cada palavra conta. Se o material está em inglês e o estudo é em português, peça “escreva os cartões em português e deixe entre parênteses o termo original em inglês”.
Leia os cartões antes de estudá-los. O Claude às vezes inventa um número plausível ou junta dois dados num só; dois minutos de leitura de um baralho novo evitam que um erro seja memorizado por um mês.
Onde manter os cartões
Sem fazer nada, os cartões ficam na conversa. Servem para uma passagem rápida no mesmo dia, mas nada avisa quando voltar a eles. Há duas maneiras de dar um lugar a eles.
Copiar os cartões para o Anki
Peça ao Claude os cartões como uma lista de duas colunas separadas por tabulações, grave a lista como texto simples e importe no Anki em Arquivo › Importar (em Portugal, Ficheiro › Importar). Funciona e é grátis. Também significa que os cartões e o estudo vivem em dois lugares diferentes: o Claude não vê quais cartões estão pendentes, não pode dar a nota, e cada baralho novo é mais uma exportação e mais uma importação.
Dar ao Claude uma ferramenta de flashcards que ele possa usar
O Flash é uma ferramenta de flashcards que entra no Claude como conector personalizado. Depois de adicionado, o Claude cria o baralho, escreve os cartões na sua conta e pode fazer uma sessão de estudo na mesma conversa. Os cartões são seus: aparecem também no site do Flash, podem ser exportados para o Anki quando quiser, e as revisões continuam agendadas mesmo que o Claude nunca mais seja aberto.
Adicionar o Flash ao Claude leva um minuto
- Crie uma conta grátis no Flash. Não pede dados de pagamento.
- No Claude, abra Personalizar e depois Conectores, selecione + e depois Adicionar conector personalizado. Cole este endereço e selecione Adicionar. O Claude pede para entrar no Flash uma vez e mostra uma página de autorização com o que vai poder fazer.
https://flashmemorize.com/mcp
- Em qualquer conversa, selecione +, abra Conectores e ative o Flash.
- Na conversa, escreva “mostre os meus baralhos”. Se o Claude responder com a lista de baralhos (vazia no início), está tudo pronto.
Funciona em todos os planos do Claude, incluindo o gratuito, e a mesma integração serve na web, no computador e no smartphone. Para o Claude Code há um comando de uma linha na página do Flash para o Claude.
Com o Flash adicionado, o resto é conversar com o Claude: “faça vinte cartões deste tema no meu baralho de Fisiologia”, “corrija o cartão do nó sinusal”, “quantos cartões tenho pendentes hoje?”.
Como é uma sessão por voz
Abra o modo de voz e diga “vamos estudar cardiologia”. O Claude procura os cartões de hoje e faz a primeira pergunta em voz alta. A resposta é dada com as próprias palavras. O Claude compara a resposta com o verso do cartão, diz se acertou e dá ao cartão uma das quatro notas do Anki, De novo (em Portugal, Errei), Difícil, Bom ou Fácil, e grava a revisão. Depois vem o cartão seguinte. Uma sessão de dez cartões dura dois ou três minutos, por isso cabe numa caminhada, numa viagem ou enquanto se cozinha.
A avaliação é rigorosa de propósito. “Uns cem, mais ou menos” não é o mesmo que “entre 60 e 100 batimentos por minuto”, e o Claude vai dizer isso. Esse rigor é o que importa: um cartão que se sabe pela metade é um cartão que ainda não se sabe, e marcá-lo como Bom faria com que só voltasse semanas depois.
Para quem prefere não falar, a mesma sessão funciona por escrito em qualquer conversa.
O que o FSRS faz com essas notas
O Flash agenda cada cartão com o FSRS, o algoritmo de repetição espaçada de código aberto que o Anki também oferece. Cada nota atualiza um modelo de quão estável é aquela lembrança, e o cartão volta no dia em que o modelo calcula que ela está prestes a ser esquecida. Os cartões dominados somem por semanas; os que dão errado voltam amanhã. Não há nada para configurar. Na prática, são menos revisões para lembrar o mesmo, que é o que importa quando há trezentos cartões e pouco tempo.
Perguntas frequentes
O Claude faz flashcards sem integrar nada?
Sim. Com o prompt acima, os cartões aparecem escritos na conversa. O que o Claude não faz sozinho é mantê-los num baralho nem lembrar quando revisitar cada um; para isso precisa de uma ferramenta integrada, como o Flash, ou de copiar os cartões para o Anki.
Funciona no Claude Code?
Sim. claude mcp add --transport http flash https://flashmemorize.com/mcp adiciona o Flash, e /mcp dentro do Claude Code inicia a sessão. Estudar num terminal é só por escrito, mas criar cartões a partir da documentação de um repositório ou de um artigo funciona muito bem.
É grátis?
Sim, com cartões ilimitados, e o Claude cria os cartões e estuda com eles sem nada a pagar, também por voz. O servidor também é de código aberto e grátis para instalar por conta própria (página em inglês).
Os cartões podem sair do Flash?
Sempre. No site do Flash, exporte os cartões como .apkg do Anki ou como CSV, em qualquer plano.
O Claude pode fazer perguntas sobre baralhos do Anki?
Sim. Importe o .apkg e os cartões, as omissões, as imagens e o áudio chegam do jeito que estão; o Claude vê esse baralho como qualquer outro. Para quem pensa em mudar, a comparação com o Anki conta com honestidade o que ficaria para trás.
E com o ChatGPT ou o Grok?
Ambos ficam integrados num minuto. O ChatGPT instala o Flash a partir do diretório de plugins, e o modo de voz dele também usa apps, por isso também é possível estudar em voz alta; o guia do ChatGPT explica isso, junto com o que fazem os cartões de estudo do próprio ChatGPT. O Grok adiciona o Flash como conector personalizado, e o conector de voz dele funciona de forma muito parecida com o do Claude.